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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Amigos


Em quem você pensa antes de dormir? Quem você coloca na sua lista de orações? Com quem você se importa, para quem você liga quando precisa conversar? Será que a pessoa para a qual você ligou liga para você quando precisa?
No seu círculo de amizades, quem é você?
Às vezes nos importamos demais com quem não nos dá a mínima importância. E às vezes não nos lembramos das pessoas com a qual convivíamos há dois, três, dez anos. Mas elas podem lembrar de nós. Assim como as lembranças da infância nos pegam de surpresa ao rever uma foto, um desenho, nós, humanos, temos memória.
As pessoas aparecem. Aparecem, invadem nossas vidas, modificam nossas cabeças, e somem - ou não.
E nos momentos onde precisamos, realmente, de pessoas amigas, os seres que aparecem são aqueles, os anônimos, os esquecidos. E são nesses momentos difíceis que os verdadeiros amigos aparecem. Mesmo que seja só para dar um "oi, eu estou aqui, me lembrei de você".
Você é o esquecido de alguém? Você deixou de ser amigo e passou a ser colega? Não lamente nem culpe. É praticamente impossível dar atenção a todo o mundo que você conhece e não esquecer de ninguém.
As pessoas se esquecem. Se odeiam por meses, brigam e destroem laços. E, quando se reencontram, têm a chance de deixar tudo para trás. Mesmo assim alguns disperdiçam essa chance. Quanto a estes, esqueça. Ou insista, se tiver força de vontade. Caso contrário, existem 6,6 bilhões de pessoas no mundo.
Nós, humanos, somos criaturas tão esquisitas que somos capazes de esquecer os porquês de não falar com este, com aquele. E de abraçar e dar risada no final.
Estreite os laços, afrouxe os laços, mas não espere que alguém faça isso por você. Não espere que se lembrem da sua existência se você estiver ausente, no anonimato.
Por falar nisso, oi, estou aqui, me lembrei de você.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Amigos Folhas

Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. A todas elas chamamos de amigo. Há muitos tipos de amigos.
Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles.
O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe. Mostram o que é ter vida.
Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós.
Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.
Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz...
Às vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então e chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.
Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto.
Falando em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra.
O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas. Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações.
Mas o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho. Desejo a você, folha da minha árvore, Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade... Hoje e Sempre... simplesmente porque: "Cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso".

Pra que serve um amigo?


Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona para festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra? Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito. Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contraído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos. Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon. Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura um confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém !
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